terça-feira, 3 de junho de 2008

S-O-L-E-T-®-@-N-D-0

É, não deveria ter começado com um título assim, afinal, soletrando está no gerúndio, como sempre esteve as propostas do programa caldeirão do Huck, exibido nas tardes sábados Globo.

O gerúndio é assim, forma verbal na qual parecemos fazer algo, mas nunca sabemos se realmente aquilo foi terminado, ou se aquilo realmente foi feito.

Durante a final do soletrando tive a oportunidade de perceber o quanto é difícil para a TV brasileira lidar com programas ao vivo, onde as pessoas certamente questionam e discutem posições duvidosas, contrárias aos seus interesses.

E lá estava eu, no fim de um concurso que mobilizou milhares de estudantes e que colocou frente a frente uma garota paranaense de classe média alta, estudante do Colégio Militar e um jovem do interior do triste e seco Vale do Jequitinhonha – MG, que aprendeu a ler com 8 anos e que andou quilômetros para chegar a escola.

Grande vitoria a do garoto, sobretudo por soletrar palavras inefáveis como psicroestasia. No entanto, vejo que Luciano Huck tem criado o programa assistencialista do gerúndio.
Observe este quadro, no qual não há nenhum incentivo ou consolo para os outros 499.999 estudantes participantes sendo gravado ao vivo.

Lembrarei sempre dos questionamentos da menina paranaense, quanto à pronúncia incorreta das palavras, por parte de Luciano Huck. Quando os dois quase discutiram no ar, diante de milhões de telespectadores, percebi que isto certamente não acontece só na final, ou em um programa específico. Deve ocorrer sempre!

Assim, quem tem olhos para ver percebe que as edições, mescladas ao jogo de câmeras e à efusão de emoções da platéia e dançarinas certamente manipula o telespectador.

Que seguirá acreditando
Que Luciano está fazendo
Que coisas boas estão acontecendo...

O gerúndio é assim, esse “endo” nunca permite saber ao certo o que se completa ou quando se completará.

Eu continuarei “escrevendo” para que situações como esta saiam da obscuridade. Por certo, quem viu o programa sabe que a menina paranaense foi prejudicada, com o primordial objetivo de levantar o “ícone social” do programa assistencial.

Desculpe o trocadilho, inevitável diante de tanta invariabilidade.

Um comentário:

Anônimo disse...

Escreve tão bem, que meus olhos ficam sambando..não sei mais que palavra estava lendo..me confundí..
Soletrando!! Sei não..Desconfio..A vitória do nosso pobre conterrâneo foi boa! Bonita! Mas foi meeesssmo? Não sei..Ví uns vídeos no youtube, que colocam a vitória em questão. Dá uma olhada lá. Mas hoje em dia quem vence a batalha? Quem tem força ou quem tem "amigos"? A imagem é tudo não é?? tamaraemcriticas.blogspot.com
Põe meu bolg lá na sua lista :(
Bjo Dani

"Porque Deus amou o mundo de tal maneira, que deu seu único filho, para que todo aquele que nele crê seja salvo"...